Nesta segunda-feira, ouvi uma frase que entra para o hall de absurdos e afins que integram meu penico: " A política é a arte de engolir sapos". Vou manter o autor em sigilo, mas não posso engolir essa. O conteúdo da frase se iguala a "fazer política é como construir uma casa - é preciso barro, capim e merda" ou a outra que diz " se o empresário não burlar a lei e os direitos dos empregados, a empresa não cresce e ele não tem lucro"..
Pesquisei o significado de "engolir sapos". Conforme uma das respostas encontradas o significado da gíria "engolir sapos" é:
Fazer algo contrariado; ser alvo de insultos/injustiças/contrariedades sem reagir/revidar, acumulando ressentimento
Por que será sapo? Poderia ser engolir um caroço gigante, não é? Sendo uma expressão da própria lingua (idiomática) não haverá uma tradução ao pé da letra. Mas será que em inglês seria por exemplo: "Deixar alguem pisar no seu pé e não dizer algo". Ou seja não é o usado nem a palavra "engolir" e nem a palavra "sapo".
(suspiros, muitos suspiros). Diga qualquer coisa, mas não subestime minha inteligência.
Antes de qualquer consideração as pessoas denigrem o verdadeiro significado de política. Voltemos à idade clássica, ressussitemos Aristóteles.
O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.
O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía) .
"O homem é um animal político" — Aristóteles
Se considerar que a política é a arte de engolir sapos + sociedade, comunidade, Cidade, Estado, etc , temos: O povo engasga diariamente.
Se o político engole sapo, o povo também engole.
Se o jornalista engole sapo, o leitor engole também.
Se a justiça engole sapo, o povo é injustiçado.
Se um médico engole sapo, haja remédio para salvar o povo doente.
Etc…
Engolir sapos jamais pode ser ato elevado ao status de arte. Primeiro ponto. Profissão alguma deve defender a idéia de que é preciso engolir sapos. Segundo ponto. A revista Você S/A publicou artigo sobre os "sapos" que surgem em nossas vidas. Segundo o autor do texto, engolir sapos é uma escolha.
Engolir sapos é uma questão de escolha
O aprendizado sistêmico está se tornando prerrogativa para a empregabilidade e o sucesso profissional. É preciso parar de cavar em um único buraco
Por Silvio Bugelli
Uma recente pesquisa da Lens & Minarelli, empresa de outplacement e aconselhamento de carreira, realizada com mais de 300 pessoas demitidas (entre presidentes, diretores e gerentes), apontou que cerca de 67% tinham curso de pós-graduação ou o título de MBA. Este número constata que o que vale mesmo nos dias de hoje é o conhecimento e a competência, não o título.
O aprendizado sistêmico está se tornando prerrogativa para a empregabilidade e o sucesso profissional. Como tenho dito em várias oportunidades, “é preciso parar de cavar em um único buraco”. E por falar em buraco, aproveite para extrair bons aprendizados da estória a seguir.
Um dia, nasceu um sapinho que, com apenas três dias de vida, ainda ingênuo e descuidado, caiu em um buraco. O buraco para o sapinho era um paraíso: razoavelmente amplo, aquecido, com um pouco de água, escurinho e principalmente livre de perigos. Era tudo que o sapinho precisava para a sua sobrevivência!
O tempo foi passando e o sapinho transformou-se em sapo, e de sapo virou um sapão, gordo e entediado.
Num certo dia, o sapão recebe a visita inesperada de um bicho estranho.
- Quem é você?! – pergunta o sapão assustado.
- Sou um sapo como você, oras bolas.
- Você é um sapo como eu?! – exclama o habitante do buraco.
- Meu amigo, existem milhares de sapos como eu e você no mundo lá fora.
- Mundo lá fora?! Como assim?
- Pois é, meu caro… existe um mundo lá fora, e ele é maravilhoso. Existem tantas coisas magníficas, principalmente umas criaturazinhas especiais, razão maior da nossa vida de sapo: as sapinhas.
- Sapinhas?!
- Isso mesmo! Sapinhas. Com elas ficamos cantando nas lagoas, assistindo o entardecer e comendo mosquitos que voam desgovernados.
- Lagoas?! Mosquitos?!
- E tem mais, quando anoitece o céu é lindo, cheio de estrelas.
- Epa! Aí você não me pega. Eu também, todas as noites, consigo contar umas cinco ou seis estrelas.
- Pois é, esta é a grande diferença que temos; eu nem posso contar quantas estrelas existem, pois são dezenas, ou melhor, centenas de estrelas.
E assim, o sapo do mundo vai dizendo as vantagens de viver em liberdade, mas em determinado momento, para e diz:
- Por outro lado, o mundo lá fora apresenta riscos. Tem um bicho terrível que precisamos ter muito cuidado. Quando a gente menos espera, ele nos chuta como uma bola de futebol, joga sal no nosso corpo e coloca álcool em nossas costas e depois, ai, ai, ai, ateia fogo, e então a gente sai pulando, pulando. E por falar em pular, já está próximo do entardecer, então vou dar um pulinho até a lagoa.
- Pulinho?! Eu nunca pulei!.
- Pular é da nossa natureza. A propósito, você não gostaria de ir comigo?
- Pensando bem, com todos estes riscos que você me disse, acho melhor não. Prefiro ficar no meu conforto, pelo menos aqui eu conheço e sei que não vou ter surpresa. Pode ir… eu fico bem!
E o sapão continuou ali, no conforto do seu buraco…
Muitos profissionais estão como o sapão, enfurnados no seu mundinho limitado. Acomodados, lutam pela manutenção e sobrevivência, e assim não enxergam as muitas oportunidades. Mal sabem que um dia o buraco pode ruir. Aí, o profissional não estará preparado para assumir os riscos que o mundo corporativo impõe.
Manter-se na zona de conforto é o maior risco daquele que deseja obter um alto desempenho, sem dizer que, para permanecer nela, é preciso “engolir vários sapos” a cada dia.
O aprendizado sistêmico é capaz de conduzir você a um novo mundo. Um mundo de oportunidades, idéias, criatividade, entusiasmo, emoção, enfim, um mundo com vida! Neste mundo não se vive em uma única dimensão; vive-se em 3 D:
A primeira dimensão envolve o aprendizado das relações, dos valores e dos sentimentos.
A segunda dimensão considera o aprendizado do ambiente, do mercado e dos clientes.
A terceira dimensão contempla o aprendizado sobre resultados e poder de realização.
Se todas estas coisas começam a fazer sentido, então você está em evolução. Vá em frente, afinal: quem sabe, aprende!
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Se você decidir engolir sapos, verifique pelo menos se o seu "sapo lava os pés"